A Revolução dos Hábitos Alimentares na Modernidade

By Rodolpho Leonardo  07 fev, 2009   Postado em História

A Revolução dos Hábitos Alimentares na ModernidadeA história da gastronomia vem datada desde o começo do homem, a descoberta do homem e as primeiras civilizações. Mas é no fim da Idade Média que se iniciam os grandes benefícios da gastronomia para a concepção dos hábitos atuais, e para a história em geral.

Conhecido como o tempo do Renascimento, a Idade Moderna caracterizou-se por uma forte onda intelectual e cultural na Europa, principalmente na Itália com a música e as artes. Surgiram na Itália grandes nomes como Leonardo Da Vinci e Michelangelo e em outros países Shakespeare, Holbein e Cervantes despontaram como grandes artistas. O clima romântico-intelectual da época fez-se agregar grandes destaques na gastronomia. Taillevent chef de reis escreveu Le Viandier, primeiro livro gastronômico francês de que se tem registro.

Com a falta de especiarias, causada pelo fechamento do Mediterrâneo, o mundo se abriu a época das grandes navegações no final do séc. XIV e início do XV. O descobrimento (encontro) de novas terras e povos trouxe para a Europa novos produtos alimentícios, como o Chocolate, a batata, mandioca e etc. No renascer das artes, e da cultura na Itália, a população européia adquiriu mais “requinte”e começou a ficar mais “elegante”. O surgimento dos hábitos de mesa, como o lavar as mãos antes de comer e o uso de garfos e guardanapos, enriqueceu ainda mais as culturas européias. Mas nem todos nesta época adotavam o uso de talheres, cabendo somente à alta nobreza o uso destes seletos instrumentos. Iniciou-se também nesta época o cultivo de pomares e árvores frutíferas e dos aromáticos também, que passaram a serem inseridos na produção de vinhos e licores.

Influenciados pelos italianos, os franceses iniciaram a produção de geléias, compotas e cristalização de frutas. Aliado ao casamento de Henrique II com Catarina de Médici marca-se o início da cozinha Francesa. Mas é com Luiz XIII que a ordem e a apresentação dos pratos entram em evidência para evitar o desperdício caracterizado até então pelos hábitos da nobreza.O gosto pelos legumes, frutas, laticínios, carne de açougue e em matéria de temperos também sofreu muitas inovações que antes não existiam. Na França os temperos fortes perderam a vez para os temperos gordurosos ou açucarados que pretendiam ser mais delicados e conservar mais os sabores dos alimentos.

A utilização de novos móveis e utensílios de mesa permitiu o maior refinamento da “educação” à mesa. Mudou-se o horário das refeições, adaptando-se a uma vida mais ociosa e aumentando a diferença em relação aos horários dos trabalhadores manuais. Racionalizou-se a ordem dos pratos em função das novas estruturas do gosto, passando a ser, sopas, entradas, assados, saladas e sobremesas. Ressaltando que as saladas eram servidas após as refeições por causa do clima mais frio e por acreditar-se que ajudariam na digestão e a utilização de doces passou a ser diários com o aprimoramento da Pastelaria francesa.

Cozinheiros importantes, como La Varenne e Vatel, criaram uma verdadeira revolução na culinária, desenvolvendo os primeiros molhos verdadeiramente franceses. Começaram a criar molhos com nomes da nobreza, como o molho Béchamel. Os cafés de Paris contribuíram para uma maior aceitação dos novos hábitos. Os europeus estavam ficando cada vez mais sofisticados. A criação de uma técnica nova de fermentação de vinhos, criada por Dom Pérignon produziu o Champagne, vinho originado da região de Champagne na França, que é confundido erroneamente com o Espumante, “Champagne” produzido em áreas diferentes desta região francesa.

Espalham-se os costumes franceses pela Europa e pelo Novo Mundo, e fica comum entre as outras realezas a utilização de cozinheiros franceses. Genebra, na Suíça, vira o centro intelectual e cultural da gastronomia francesa.

Mas é no século XVIII que o interesse pela boa mesa se ressalta, com Luis XV que como gastrônomo, dando início à confecção de pratos mais elaborados e inventivos. Criação dos restaurantes por Boulanger e o aprimoramento destes por Beauvillers, que monta o primeiro restaurante de luxo com serviço à la carte.

Este período na história contribuiu, e ainda contribui, com uma série de fatores fundamentais à nossa vida contemporânea. Grande parte de nossos atuais costumes à mesa tem como base à revolução gastronômica da modernidade. Portanto, é nos dias de hoje que devemos nos aprimorar ainda mais e tornar a nossa parte tão importante como a do nosso passado.

Crédito da foto para stock.xchng.

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5 respostas para “A Revolução dos Hábitos Alimentares na Modernidade”

  1. mirian disse:

    esse site é muito impoprtante para quem quer ser chef de cozinha

  2. Fala sr. Navarro, obrigado mesmo pela visita. Espero que tenha gostado das novidades. Obrigado mesmo pela força que você me deu em ajeitar o blog. Agora vamos pro next level… heheheh abraço

  3. Oi Paulinha, obrigado mesmo pela visita, espero que tenha gostado. Agora vou separar parte do meu tempo pra poder divulgar algumas receitas e curiosidades a respeito dessa área que gosto tanto. E é claro, qualquer dia deste a gente tem que se reunir e colocar os “pratos” em dia. abraço

  4. Navarro disse:

    Excelente texto Rod. Sua escrita é muito bacana e a história cativante. Parabéns pelo blog e estou aqui na torcida para que tudo dê sempre certo. Conte comigo irmão.
    Grande abraço do amigo e fã.

  5. Paulinha disse:

    Oi Rod,

    Então virou blogueiro também? Muito legal. Parabéns pelo primeiro texto e agora estarei sempre por aqui. Boa sorte com o projeto.

    Bjo.
    Paulinha

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