A Revolução dos Hábitos Alimentares na Modernidade
Publicado: 7 de fevereiro de 2009 – 8:27 pm em: História
A história da gastronomia vem datada desde o começo do homem, a descoberta do homem e as primeiras civilizações. Mas é no fim da Idade Média que se iniciam os grandes benefícios da gastronomia para a concepção dos hábitos atuais, e para a história em geral.
Conhecido como o tempo do Renascimento, a Idade Moderna caracterizou-se por uma forte onda intelectual e cultural na Europa, principalmente na Itália com a música e as artes. Surgiram na Itália grandes nomes como Leonardo Da Vinci e Michelangelo e em outros países Shakespeare, Holbein e Cervantes despontaram como grandes artistas. O clima romântico-intelectual da época fez-se agregar grandes destaques na gastronomia. Taillevent chef de reis escreveu Le Viandier, primeiro livro gastronômico francês de que se tem registro.
Com a falta de especiarias, causada pelo fechamento do Mediterrâneo, o mundo se abriu a época das grandes navegações no final do séc. XIV e início do XV. O descobrimento (encontro) de novas terras e povos trouxe para a Europa novos produtos alimentícios, como o Chocolate, a batata, mandioca e etc. No renascer das artes, e da cultura na Itália, a população européia adquiriu mais “requinte”e começou a ficar mais “elegante”. O surgimento dos hábitos de mesa, como o lavar as mãos antes de comer e o uso de garfos e guardanapos, enriqueceu ainda mais as culturas européias. Mas nem todos nesta época adotavam o uso de talheres, cabendo somente à alta nobreza o uso destes seletos instrumentos. Iniciou-se também nesta época o cultivo de pomares e árvores frutíferas e dos aromáticos também, que passaram a serem inseridos na produção de vinhos e licores.
Influenciados pelos italianos, os franceses iniciaram a produção de geléias, compotas e cristalização de frutas. Aliado ao casamento de Henrique II com Catarina de Médici marca-se o início da cozinha Francesa. Mas é com Luiz XIII que a ordem e a apresentação dos pratos entram em evidência para evitar o desperdício caracterizado até então pelos hábitos da nobreza.O gosto pelos legumes, frutas, laticínios, carne de açougue e em matéria de temperos também sofreu muitas inovações que antes não existiam. Na França os temperos fortes perderam a vez para os temperos gordurosos ou açucarados que pretendiam ser mais delicados e conservar mais os sabores dos alimentos.
A utilização de novos móveis e utensílios de mesa permitiu o maior refinamento da “educação” à mesa. Mudou-se o horário das refeições, adaptando-se a uma vida mais ociosa e aumentando a diferença em relação aos horários dos trabalhadores manuais. Racionalizou-se a ordem dos pratos em função das novas estruturas do gosto, passando a ser, sopas, entradas, assados, saladas e sobremesas. Ressaltando que as saladas eram servidas após as refeições por causa do clima mais frio e por acreditar-se que ajudariam na digestão e a utilização de doces passou a ser diários com o aprimoramento da Pastelaria francesa.
Cozinheiros importantes, como La Varenne e Vatel, criaram uma verdadeira revolução na culinária, desenvolvendo os primeiros molhos verdadeiramente franceses. Começaram a criar molhos com nomes da nobreza, como o molho Béchamel. Os cafés de Paris contribuíram para uma maior aceitação dos novos hábitos. Os europeus estavam ficando cada vez mais sofisticados. A criação de uma técnica nova de fermentação de vinhos, criada por Dom Pérignon produziu o Champagne, vinho originado da região de Champagne na França, que é confundido erroneamente com o Espumante, “Champagne” produzido em áreas diferentes desta região francesa.
Espalham-se os costumes franceses pela Europa e pelo Novo Mundo, e fica comum entre as outras realezas a utilização de cozinheiros franceses. Genebra, na Suíça, vira o centro intelectual e cultural da gastronomia francesa.
Mas é no século XVIII que o interesse pela boa mesa se ressalta, com Luis XV que como gastrônomo, dando início à confecção de pratos mais elaborados e inventivos. Criação dos restaurantes por Boulanger e o aprimoramento destes por Beauvillers, que monta o primeiro restaurante de luxo com serviço à la carte.
Este período na história contribuiu, e ainda contribui, com uma série de fatores fundamentais à nossa vida contemporânea. Grande parte de nossos atuais costumes à mesa tem como base à revolução gastronômica da modernidade. Portanto, é nos dias de hoje que devemos nos aprimorar ainda mais e tornar a nossa parte tão importante como a do nosso passado.
Crédito da foto para stock.xchng.
Tags: frança, gastronomia, História, restaurante, revolução






4 Comentários
Oi Rod,
Então virou blogueiro também? Muito legal. Parabéns pelo primeiro texto e agora estarei sempre por aqui. Boa sorte com o projeto.
Bjo.
Paulinha
Excelente texto Rod. Sua escrita é muito bacana e a história cativante. Parabéns pelo blog e estou aqui na torcida para que tudo dê sempre certo. Conte comigo irmão.
Grande abraço do amigo e fã.
Oi Paulinha, obrigado mesmo pela visita, espero que tenha gostado. Agora vou separar parte do meu tempo pra poder divulgar algumas receitas e curiosidades a respeito dessa área que gosto tanto. E é claro, qualquer dia deste a gente tem que se reunir e colocar os “pratos” em dia. abraço
Fala sr. Navarro, obrigado mesmo pela visita. Espero que tenha gostado das novidades. Obrigado mesmo pela força que você me deu em ajeitar o blog. Agora vamos pro next level… heheheh abraço